Entrevista: Um brasileiro missionÁrio no SudÃo

É no Sudão que a família de Giovan Monteiro, pastor da Igreja Adventista em Porto Alegre, vai passar os próximos anos. Ele faz parte de uma missão evangelística da qual participam 4 brasileiros a partir do segundo trimestre de 2012.



Pastor Giovan Monteiro e família

[Porto Alegre, RS] Uma nação afligida pela miséria e liderada com mão de ferro. É no Sudão que a família de Giovan Monteiro, pastor da Igreja Adventista em Porto Alegre, vai passar os próximos anos. Ele faz parte de uma missão evangelística da qual participam 4 brasileiros a partir do segundo trimestre de 2012. Eles serão enviados para pregar em regiões que integram a chamada "janela 10/40", área geográfica que concentra a menor presença de cristãos do globo. Em novembro desse ano, foi anunciado no Brasil o lançamento de um projeto para estabelecimento de mais de 20 centros de influência em dezenas de países no mundo árabe e outros com baixa presença cristã. A ideia é mostrar cristianismo prático.

É para esta missão desafiadora que Giovan Monteiro foi chamado. Natural de Mantena (MG), ele tem forte raiz capixaba, pois desde pequeno morou no Espírito Santo. Além de pastor, é também formado em Direito. Concluiu o bacharelado na área jurídica em 1987. Formou-se em Teologia em 1998 e concluiu o mestrado no campo teológico em 2010 pelo Centro Universitário Adventista de São Paulo, campus Engenheiro Coelho.

Começou o ministério como diretor e professor de Bíblia em 1999 na cidade de Telêmaco Borba, no Paraná. Na capital paranaense, atuou como pastor nos distritos de Capão da Imbuia e Boqueirão. Além disso, desempenhou a função de secretário da Associação Sul-Paranaense entre 2004 e 2008. Atualmente, exercia o papel de pastor distrital em Porto Alegre na Igreja Adventista do Sétimo Dia da Floresta, zona Norte da capital.

Giovan Monteiro é casado com Claudia Fortes dos Santos Monteiro, gaúcha, de Santa Maria. Tem três filhos: Vítor (11 anos), Arthur (com 09) e Gabriela (5 anos).

leia mais:
Quatro pastores e famílias se preparam para desafio de serem missionários na Janela 10/40

Nesta entrevista, ele fala sobre as estratégias de evangelização em locais onde os cristãos são minoria e a respeito das principais barreiras que deve enfrentar no Sudão, país com influência predominantemente muçulmana.

Como você se sente diante da missão de pregar na região com a menor presença de cristãos do planeta?
Giovan Monteiro - Sinto-me pequeno. Não tem como ter outro sentimento. Sabemos a dificuldade que o cristianismo enfrenta nestes lugares e isto nos faz ser totalmente dependentes de Deus.

O chamado para pregar em todo o mundo, a toda nação tribo e língua foi o que mais pesou na sua decisão de aceitar o desafio?
Monteiro - Não somente neste chamado, mas desde a primeira vez que Deus me chamou a motivação era exatamente esta; creio que Deus esteve me preparando todo este tempo para agora chamar-me para um desafio que sempre foi a minha motivação. Deus precisa ser apresentado a todos indistintamente, não podemos criar barreiras preconceituosas e assim impedirmos pessoas de conhecerem esta verdade maravilhosa.


Sinto-me pequeno. Não
tem como ter outro
sentimento. Sabemos a
dificuldade que o
cristianismo enfrenta
nestes lugares e isto nos
faz ser totalmente
dependentes de Deus.”


Giovan Monteiro

Diante desse novo alvo, você tem algum medo?
Monteiro - Não diria medo, mas quem sabe temores; sabemos que o cristianismo não é bem visto nestes países, e para isto teremos de ter muita sabedoria para fazer a abordagem certa.

Além da barreira linguística, que desafios você acredita que terá como missionário num país tão pobre, abalado por guerras civis e predominantemente muçulmano?
Monteiro - Creio que a cultura e a situação política do país sejam outras barreiras. O Sudão viveu recentemente um momento muito delicado, ainda hoje há conflitos localizados na fronteira sul do país. Estes conflitos foram gerados pela política do atual governo que é dominado com mão de ferro pelo atual presidente. A pobreza é outra marca constante no Sudão e trazer alívio para estas pessoas é também um grande desafio.

Em que sentido a pregação do evangelho tem que ser diferente para atrair pessoas para Cristo numa área geográfica onde cristãos são minoria, como no mundo árabe?
Monteiro - Creio que a estratégia da Igreja Mundial de atuar no trabalho solidário é uma fórmula a ser seguida. Para estas culturas é preciso primeiro quebrar toda forma de preconceito com o cristianismo, para através deste gancho mostrar o lado atraente do cristianismo; penso que é viver a essência do evangelho pregado por João Batista: "Quem tiver duas túnicas reparta com quem não tem, e quem tiver alimento faça da mesma maneira". (Luc. 3:11)

Como você está buscando se preparar para a nova missão?
Monteiro - Muita oração e entrega a Deus em primeiro lugar e buscando informações com colegas que já foram missionários para aprender um pouco mais sobre os desafios que enfrentaremos. Também tenho buscado informações sobre a região por meio da internet.

Que lições importantes essa nova experiência deve trazer para os seus filhos também?
Monteiro - Além de dominar mais um idioma, ou quem sabe dois, gostaria de ver brilhando neles o senso de missão que devemos ter. Penso que eles viverão uma experiência única, seremos privados de certos "confortos" da vida moderna, mas a bagagem cultural, intelectual e espiritual serão para sempre valores agregados no caráter deles e de nossa família.


[Equipe ASN, Márcio Tonetti | Fonte: União Sul Brasileira: http://www.usb.org.br/evangelismo/noticia/]

 

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