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A Aquaponia e o desenvolvimento técnico de um selo

Atualizado: 16 de mai. de 2022


Vivemos hoje um momento de inovações tecnológicas onde a Aquaponia, um sistema de produção de alimentos que une a aquicultura convencional com a hidroponia em um ambiente único e comum, está nascendo em nosso país de uma forma forte e estruturada.

Essa evolução tem sido intensa e constante através de um modelo associativo a Associação Brasileira de Aquaponia (ABA) que tem como foco organizar a cadeia de produção e a difundir tecnologia, traz para o mercado um selo de certificação e qualidade em Aquaponia.

Um breve histórico para entendermos as razões deste trabalho

Quando a técnica de produção sem uso do solo, conhecida como hidroponia, chegou ao Brasil ao final da década de 80 e no início dos anos 90, ela trouxe uma série de vantagens como a padronização das plantas através de nutrição em comum e pelo uso da plasticultura - o chamado cultivo protegido – inexistente nos modelos convencionais de produção de hortaliças da época. Além disso, ela também trouxe vantagens em relação à ergonomia para o trabalhador rural e a possibilidade de realizar até 13 cultivos anuais, dependendo da região e da cultura.

Naquela época a internet estava em processo de expansão havia pouco conhecimento disponível e acessível. Culturalmente, os produtores não trocavam tantas experiências como hoje, através dos canais de comunicação digitais. Assim, cada um ao seu modo, buscavam suas próprias soluções para controlar pragas e doenças em seus cultivos.

Por conta da falta de associativismo, a troca de informações levou a uma ‘perda de força’ desta categoria de produção, desencadeando no produto hidropônico sendo tratado como convencional. Algumas redes do mercado varejista não apoiaram alimentos produzidos por esta técnica, mesmo com o intenso crescimento de hidroponistas de hortaliças com nutrição diferenciada e sem o uso de quaisquer tipos de agrotóxicos.

A falta de associativismo, mesmo de um selo de qualidade, levou a categoria a uma perda destes possíveis diferenciais produtivos, colocando todo esforço de diferenciação na vala comum de produtos ‘comoditizados’ sujeitos a lei de oferta e procura, sem obter preços justos que remunerem qualquer esforço de melhoria.

Entretanto, em um mundo onde os recursos se tornam cada vez mais caros e escassos, o mercado global pede pela segurança do alimento e pela eficiência das operações respeitando processos sustentáveis. A Aquaponia, como uma produção integrada, pode oferecer os recursos necessários para o desenvolvimento da cadeia agroalimentar.

Os benefícios da Aquaponia

Produzir hortaliças, peixes ou camarões (proteínas de altíssimo valor biológico) em diferentes ambientes é uma das vantagens deste sistema. A Aquaponia possibilita a produção no campo ou mesmo dentro de centros urbanos, reduzindo a chamada ‘Pegada de Carbono’ e maximizando a utilização de todos os recursos produtivos, como nutrientes para plantas e peixes, água, energia e mão de obra.

Como citamos anteriormente, este é um momento ímpar para valorizar esse processo. Neste sistema existem conceitos processuais e métodos da agricultura biológica, através do uso de ferramentas biológicas benéficas, que tornam sinérgico este modelo de produção integrada, permitindo a produção de plantas e organismos aquáticos de forma segura e saudável. Além de resultar em alimentos de elevada densidade nutricional para os consumidores.

No entanto, essas vantagens para o meio ambiente, produtores e consumidores serão viáveis apenas se não cometermos os mesmos erros de desvalorização técnico-comercial deste tipo de produção, auxiliando também na difusão de conhecimento e no desenvolvimento da metodologia de produção que será absorvida no ambiente operacional.

O desenvolvimento da cadeia produtiva

A Aquaponia é um sistema que pode ser utilizado para consumo próprio, como pequenas produções em escolas ou centros urbanos, mas também em processos de larga escala comercial. Em ambos cenários, o alimento – plantas e organismos aquáticos – devem ser produzidos de forma segura e sustentável.

Quando olhamos para a cadeia de abastecimento comercial, sabemos que fornecedores são avaliados pelos compradores e varejos em relação as boas práticas agrícolas, rastreabilidade de alimentos e resíduos de defensivos químicos. Além disso, o cumprimento das legislações e condições da operação são extremamente importantes para gestão dos riscos e para a garantia que produtos saudáveis sejam ofertados aos consumidores.

Para isto, o mercado tem se utilizado como ferramenta de avaliação as auditorias, selos e certificações.

Para que serve um selo ou uma certificação

Diante destes desafios que o produtor enfrenta, os selos e as certificações os auxiliam como referência de organização e é uma maneira de garantir para o mercado e para os consumidores, que os pilares técnicos estão sendo seguidos no momento de produção e comercialização do produto.

Em outras palavras, cada selo que o produtor possui é o resultado de uma avaliação imparcial de suas rotinas, aprovando-as segundo uma lista de regras daquele protocolo.

Quais são os caminhos e ganhos quando se busca um selo ou uma certificação

Um dos principais benefícios para os produtores já certificados é o de eficiência e de segurança nas operações, uma vez que para se obtê-la, é necessário:

· Padronizar processos, executando-os segundo as legislações vigentes e/ou padrões técnicos reconhecidos;

· Treinar a equipe para que a atividade seja executada de forma homogênea entre os colaboradores;

· Criar uma cultura de melhoria contínua, com a correção das não-conformidades. Esta padronização e capacitação da equipe fazem com que todos saib